História do Agrupamento 67



O Escutismo começou no Bairro da Encarnação com uma patrulha de caminheiros (assim se chamavam as actuais equipas) liderada pelo Chefe Renato Graça, em 1949, tendo sido oficializado em 30.JAN.1950, em Ordem de Serviço Nacional, como Patrulha Isolada "Infante de Sagres" (então, designavam-se como patrulhas isoladas os Grupos - não havia Agrupamentos - em formação).

Este dirigente, e alguns dos caminheiros, vieram dum Grupo existente em Moscavide, que veio a fechar.

Inicialmente as reuniões realizavam-se em casa do Chefe Renato, tendo passado para a igreja logo que esta se concluiu.

Por volta de 1951 foi constituída a Patrulha de Estudo feminina "Andorinha", chefiada pela Chefe Eugénia Brandão de Meio, ao tempo chefe geral (nacional) da III secção.

Foi nesta Patrulha de Estudo que se prepararam as dirigentes que estiveram na origem da fundação, em 28 de Junho de 1953, da Alcateia n.º 72 (actualmente n.º 12), primeira unidade a ser filiada, sendo sua chefe Maria Eduarda Graça (irmã do Chefe Renato).

No dia da fundação da Alcateia fizeram também a promessa os primeiros Exploradores, que vieram a constituir Patrulha 'Veado", agregada à Patrulha Isolada "Infante de Sagres" seguindo-se, mais tarde, a Patrulha "Águia".

Por volta de 1956 o Chefe Renato Graça saiu do Bairro da Encarnação, para ir fundar o Escutismo em Olivais Velho.

Depois de muitas dificuldades (vencidas! ... ) em 1 de Novembro de 1958 foi fundado o actual Agrupamento n.º 67, e o Grupo n.º 28, com os exploradores já existentes, agregando a si a Patrulha de caminhemos "Infante de Sagres" (agora já não isolada ... ).

O primeiro chefe do Agrupamento foi Hélio Ribeiro (um dos caminheiros da origem), sendo assistente o Padre Armindo Santos Duarte, secretária Maria Rosa Teixeira, chefe do Grupo António Duarte de Almeida e chefe da Alcateia Maria Eduarda Graça, mais tarde substituída por Maria Cecília Viegas.

Por volta de 1960 foi fundado o Clã 6. sendo seu primeiro chefe Fernando Morato de Abreu,

As primeiras sedes (da Patrulha Isolada, da Patrulha de Estudo, da Alcateia e dos primeiros exploradores) funcionaram nas salas anexas ao coro da Igreja, tendo passado para a cave, onde ainda hoje se mantêm, na altura da fundação do Agrupamento.

Em 1952 registou-se a primeira participação dos nossos escuteiros num grande acontecimento escutista: o IX Acampamento Nacional (I Jamboree Nacional), em Coimbra, seguindo-se o X Acampamento Nacional em 1956, em Avintes, (integrados no Grupo de Santa Catarina) e em 1960, no XI Acampamento Nacional, no Estoril (já independentes...).

A partir de então, o Agrupamento participou em praticamente todos os Acampamentos Nacionais e Regionais que se realizaram até hoje.

O Agrupamento foi (e há-de voltar a ser ... ) um dos mais importantes da Região, tendo ficado conhecida a intervenção dos seus membros aos vários níveis, salientando-se uma proposta de metodologia para caminheiros apresentada pelo Clã, que veio a ser consagrada, e regulamentada, no anterior Regulamento Geral do CNE.

Era muito conhecida (e apreciada!...) a equipa de teatro do Agrupamento. Deste Agrupamento, saíram dirigentes que fundaram vários Agrupamentos. São "filhos" do Bairro da Encarnação:

  • Olivais Velho (Renato Graça)
  • S. João de Brito (Chico Maia)
  • Olivais Sul (Duarte de Almeida)
  • Mira Sintra (Luís Castro)
E "neto" do Bairro da Encarnação:
  • Moscavide ("filho" de Olivais Sul)
Para mais pormenores, "ouçam" a cantiga...



 

A PATRULHA ANDORINHA

Começa a reunião

Sempre com muita alegria

Mas, primeiro a oração

E depois a gritaria

 

Olhem para a nossa Guia

Tal e qual uma gazela

Parece quase impossível

Que tenha um gato atrás dela

 

Quando vem arreliada

Não se deve perguntar

Se já arranjou morada

Ou se por cá quer ficar

 

Lá vem a Maria Rosa

Com o seu penacho encarnado

Toda ladina e airosa

Vem-nos trazer um recado

 

A Chefe Rosa confia

No seu penacho encarnado

Tal como fará um dia

Quando tiver namorado

 

Vem depois a doentinha

Queixar-se da injecção

E da grande dorzinha

Que tem no seu coração

 

A Cecília é palradora

Todo o seu totem o diz

Mas além de faladora

É dona do seu nariz

 

Mais atrás a Madre Deus

Muito alegre, sorridente

Concerteza que nasceu

Para alegrar toda a gente

 

Mas se está arreliada

Não se consegue entender

Parece mesmo uma vida

Que se está quase a perder

 

E agora a Mana Lena

Seguindo sempre p'ra frente

Pois sabe que é uma rena

Bem corajosa e contente

 

Quando ela for cadete

De nós, não se lembrará

E um grande diabrete

Mas como ela, não há

 

Também há uma Zequinha

Mas que bem pouco se vê

É uma boa andorinha

Mais não pode, já se vê

 

Pode a menina voar

Antes que chegue o momento

Por isso a estão a amarrar

Até ao seu casamento

A Estela que é aspirante

Anda cheia de esperança

Aquilo também são ares

Ali da Penha de França

 

Ela é boa rapariga

Não podemos duvidar

E portanto boa amiga

Que se pode acompanhar

 

A Gina, tão decidida

Em ser Guia de Portugal

Vem logo presumida

Jogar ao pau, no quintal

 

Mas também se continua

Com manias no cantar

O melhor é dar o fora

Antes de desafinar

 

E então a Celestinha

Não a podia olvidar

Também quer ser andorinha?

Olha que é p'ra trabalhar!

 

O melhor é vires sozinha

Porque o penacho encarnado

Pode ser boa vizinha

Mas é desavergonhado

 

A Bélinha é uma criança

O que ela deve é cantar

Mas tem uma grande esperança

Que não se deve contar

 

Quando chega as oito horas

À porta lhe vou bater

Mas que cabeça de abóbora

É raro não se esquecer

 

A Berta é boa pequena

Que não podemos perder

Mas é uma grande pena

Que depois nos vá esquecer

 

Se for p'ra Inglaterra

É capaz de acontecer

Qu'indo p'ra outra terra

Nunca mais se possa ver

 

A Elsa toda orgulhosa

Não se dá bem com vizinhos

É tal e qual uma rosa

Que como sabem, tem espinhos

 

E no fim de tanta coisa

Que afinal é bem mesquinha

Só nos resta desejar

Vida, à Patrulha Andorinha

 

(Feito em 1960)